Como surgiu o teu interesse pela escrita?
O meu interesse pela escrita surge logo a seguir ao meu primeiro interesse, a leitura. A leitura foi e continua a ser responsável para eu aprender a escrever. Com ela estudei e estudo o dicionário português e o seu rico significado. Nunca me vou esquecer de que com treze anos recebi um elogio de uma professora de Português chamada Isabel Dinis que disse que eu tinha uma veia poética muito forte. Espero não a ter desiludido.

Quais foram os teus primeiros passos para impulsionar o movimento na Zona Centro?
Para além de criar a minha obra, foi importante organizar espectáculos das mais variadas naturezas. Para além da escrita, convidei a dança e a pintura para serem representadas também ao vivo. Levei eventos ao Castelo de Leiria, a espaços de diversão nocturna, a salas de excelência, a escolas, orfanatos, prisões e ao ar livre. Não só na Zona Centro, mas também de norte a sul do país e no estrangeiro. Criei três programas de rádio onde divulguei várias obras de diversos autores de escrita, pintura e dança. Foi importante para mim estimular e apoiar diversos criadores fora das áreas de Lisboa e Porto, uma vez que seria muito mais difícil para eles divulgarem-se a si próprios sem estas iniciativas com origem na Zona Centro da qual eles são naturais. O desafio é maior.

Em termos da discografia, qual foi o teu maior orgulho?
O meu orgulho será sempre a minha obra mais recente. Preparo-me para compilar "Portugal De Luto", "Pinhal Real", "Infantes", "Pisces", "Borboleta Branca", "Virgo", "Histórico", "São" e "Memorial" numa nova edição em formato físico entitulada "Inclusivo", em livro, com uma característica muito especial que não posso ainda revelar. É muito importante para mim desbloquear o conteúdo lírico das minhas obras para as pessoas com necessidades especiais.

O facto de teres sido convidado para diversos programas televisivos e de teres aparecido inúmeras vezes nas páginas da imprensa, ajudou-te na divulgação do teu trabalho?
Claro que sim. Imprensa internacional, nacional, regional e local. As edições da Alternativa Music já ocuparam a antena das rádios portuguesas, brasileiras, francesas, luxemburguesas e espanholas. Jornalistas e redatores portugueses, brasileiros, franceses, luxemburgueses e espanhóis escreveram sobre a Alternativa Music nos seus Semanários, Diários e Revistas. Os autores das nossas edições discográficas, eu inclusivamente, pisaram os palcos de Portugal, Brasil, França, Suiça, Luxemburgo, Holanda, Itália e Marrocos. Marquei presença em todos os canais televisivos generalistas portugueses, canais por cabo, e a Alternativa Music já conquistou espaço na televisão do Brasil, São Tomé e Príncipe e França.

Achas que esse tipo de meios são importante para a promoção dos artistas e do seu trabalho?
Todos os meios são importantes, até aqueles que nós achamos que não.

O que te motivou a criar a tua própria label?
Foi o facto de nunca esperar que alguém fizesse alguma coisa por mim. Como não sou natural de Lisboa ou Porto, tive que criar uma estrutura na minha cidade. A Alternativa Music, é uma estrutura Audiovisual que estendeu o seu leque de artistas em Portugal, desde Almada a Viseu, em França (Paris e Marselha), Luxemburgo (Luxemburgo), Holanda (Amsterdão), Itália (Roma), Brasil (Rio De Janeiro e Maricá) e Noruega (Lillestrom). Sediada em Leiria, a Alternativa Music para além de estar presente nos mais variados eventos ao vivo (showcases nas fnacs; festivais; eventos solidários), está também nos media (TV; Rádio; Imprensa e Internet), para promover as suas edições discográficas. A Alternativa Music dispõe de estúdio audiovisual, rede de distribuição interna. Neste momento, esta label independente vai a caminho do seu 70º disco.

Participando em diversos eventos de ação social, achas que a tua música pode incentivar a inclusão social?
Claro que sim, dentro deles e fora deles. ''Inclusivo'' trará uma surpresa muito grande.

Os teus vídeos mostram claramente o teu gosto pelos monumentos e pela história, de onde vem esse gosto e como é que consegues “casar” essas duas realidades (Língua Portuguesa e História)?
Além da Composição Literária, da Língua Portuguesa, da Música e da Produção Audiovisual, interesso-me por História, Geografia, Lusofonia, Heráldica, Vexilologia, Escultura, Cartografia, Numismática, Toponímia, Etimologia, Turismo, Arquitectura, Conservação e Restauro, Design de Interiores, Arqueologia, Gastronomia, Feiras Medievais, Culinária, Política, Planeamento Urbano, Actualidade, Cultura Geral, Tatuagens, Natação, Artes Marciais, Jiu-Jitsu, Segurança Privada, Navios, Motas e Veículos Pesados. É natural que quando me expresso liricamente, o público sinta quais são as minhas áreas de interesse.

No teu último disco Artifacts, junto com a tua banda Xpressão Lírica, decidiste juntar o peso do Heavy Metal com o liricismo do Rap, ao que se deve esta junção?
São dois dos meus estilos musicais preferidos, a par da Música Clássica, Erudita e Épica.

És o músico que tem maior número de vídeos interpretados em Língua Gestual Portuguesa, qual a importância dos teus textos estarem acessíveis aos invisuais?
Nunca estarei livre de ser também um surdo, mudo ou invisual. Também gostaria que alguém tivesse essa consideração comigo. Também gostaria de ler e de perceber o que é dito. Os cinco sentidos para mim são o que de mais valioso há no mundo, a par do tempo, da saúde, da segurança e da liberdade.

Em que te destacas?
Obras de intervenção como "Portugal De Luto" e "Pinhal Real" homenagearam bombeiros, vítimas dos incêndios, a própria floresta, a História de Portugal e apontam soluções de mobilização contra incêndios e soluções de reflorestação que foram ignoradas pelo governo. "Pinhal Real" plantou 5000 pinheiros no Pinhal de Leiria pela mão de 180 colaboradores da Fundação Ageas que ouviram o meu apelo. Para além dos videoclips convencionais, também podemos assistir a "Portugal De Luto" e a "Pinhal Real" em Língua Gestual Portuguesa.

Qual foi o maior desafio no teu percurso musical?
Até agora foi ter tido a oportunidade de chegar ao grande público falante da Língua Portuguesa e actuar no estrangeiro. Mas o maior desafio estará sempre por vir.